Deus, Bob Marley, e uma mensagem para você




Todos os dias eu acordava pela madrugada, trocava de roupa e seguia para o carro, a fim de pegar a primeira condução para o Rio de Janeiro. Dava um beijo em minha esposa, nos meus filhos e saía sorrateiramente, preocupando-me em não fazer muito barulho e não incomodar seu sono.

Já no carro, eu o ligava e deixava circular o óleo pelo motor, ligava o aparelho de rádio, tocava o crucifixo, me benzia e começava minhas orações, enquanto a música seguia baixinho e o motor do carro aquecia, para somente então seguir em frente.


Em minhas orações eu pedia proteção e saúde a minha mulher e filhos, que eu fizesse uma boa viagem de ida e volta, agradecia por tudo – e com medo de ter esquecido alguma coisa – e para variar, pedia ajuda para resolver os problemas que eu já tinha e os que surgiriam. 

Pois é. Nesse dia, como nos próximos a esse, eu pedia ajuda para um problema no trabalho que há meses me consumia; aguardava a resposta de um requerimento que havia feito, e que não tinha nenhuma expectativa de ser atendido, apenas esperança. E por mais que Ele tenha falado para não nos preocuparmos com o amanhã – nem os pássaros se preocupam, não é mesmo? - lá estava eu enchendo a paciência do Pai. 

Foi então, que mesmo concentrado, a música que tocava no rádio me chamou a atenção a ponto de eu parar completamente a oração. Bob Marley entoava “Three little birds” (Três passarinhos) e os versos que se seguiram me causam arrepios até hoje. Bob dizia “Não se preocupe com qualquer coisa, porque cada pequena coisa vai ficar bem…” e mais à frente “Levantei esta manhã, Sorri com o sol nascendo, Três pequenos passarinhos, Pousaram na minha porta (…) cantando: Esta é minha mensagem para você”.

Estava claro: a mensagem era para mim! Eu não precisava me preocupar com nada. Benzi-me novamente, sorri desconcertado e agradeci. Segui minha viagem sem maiores percalços, e continuei minha rotina de acordar pela madrugada, ligar o carro e o rádio e fazer minhas orações. E toda vez eu me lembrava de Bob: Não se preocupe!

Cerca de duas semanas depois chegou a resposta do meu requerimento: deferido! Pode ser uma coincidência, eu sei que vão dizer isso. Mas eu acredito que Deus, Jesus, Alah,  Jeová, Jah – ou seja lá como você O chama – se comunica conosco todos os dias, perceba você, ou não. É como na cidade, olhar para o céu e ver poucas estrelas, justamente porque as luzes dos postes nos ofuscam. Lá na roça, nos rincões, onde há pouca luz,é possível ver muito mais estrelas.

Então sintonize os ouvidos e os olhos. As mensagens estão aí, por todos os lados, as respostas estão aqui, diante de nós e nem percebemos. Naquela madrugada foi Bob Marley, mas pode ser qualquer um, até mesmo três passarinhos cantando doces músicas, de melodias puras e verdadeiras.
Esta é minha mensagem para você. 

George dos Santos Pacheco
georgespacheco@outlook.com


George dos Santos Pacheco (Nova Friburgo, 7 de outubro de 1981) é um escritor friburguense. Um dos autores da Coletânea “Assassinos S/A Vol. II”, e do romance “O fantasma do Mare Dei”, ambos publicados pela Editora Multifoco em 2010. Participou da antologia “Buriti 100”, pela Editora Buriti preparou para comemorar o lançamento do seu 100º livro. É também autor do romance "Uma Aventura Perigosa", do livro de contos "Sete - Contos Capitais", do infantil "As aventuras de Frog, o ratinho", e do livro de contos Tarde demais para Suzanne. Tem textos publicados em diversos blogs e sites especializados, é colunista da Revista Êxito Rio, e mantém desde 2009 o blog Revista Pacheco, onde publica seus próprios textos e de colaboradores. Recebeu Menção Especial no VI Concurso de Trovas do Grêmio Português de Nova Friburgo, no tema lírico-filosófico; foi premiado em 1º lugar, na categoria crônica, e em 2º lugar, na categoria conto, no 1º Concurso Literário da Câmara Municipal de Nova Friburgo, Troféu Affonso Romano de Sant'anna; e em 3° lugar, na categoria prosa, no I Concurso de Prosa e Poesia de Bom Jardim - RJ, com o conto "O Dono do Bar", durante a III Festa Literária da Serra (FLITS). Em 2014, teve seu conto "A Dama da Noite" adaptado para um curta metragem homônimo, através do coletivo audiovisual "Sétima Literal", de Nova Friburgo, que serviu de cartão de visitas da cidade para a implantação de um Polo de Audiovisual na região.

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